MANIFESTO DA EDUCAÇÃO:


Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão. Paulo Freire
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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Ex-aluno agride vice-diretor em escola de Porto Alegre

Homem estaria procurando uma estudante de 14 anos para matá-la, sob influência da mãe. Ele teria dito que voltará ao local.


Um homem de 24 anos foi preso após invadir a Escola Estadual Fernando Gomes, no bairro Jardim do Salso, em Porto Alegre, e agredir o vice-diretor na terça-feira, dia 19.
Conforme a mãe de um estudante, que preferiu não se identificar, ele subiu as escadas, ligou para a mãe do seu celular e perguntou se era o local certo. Com a afirmativa, o jovem, que é ex-aluno da instituição, invadiu uma sala de aula onde estudam cerca de 30 alunos com idades entre 11 e 12 anos.
De acordo com testemunhas, ele tentou agredir um professor e quebrou classes e outros objetos. Quando saiu da sala de aula, o vice-diretor, Cláudio Humberto do Nascimento, tentou detê-lo e foi agredido com um soco. O homem, que tem antecedentes criminais por furto, roubo, tráfico e já esteve foragido, quebrou a porta de vidro da escola e fugiu.
Ele foi detido pelo pai de um estudante e preso pela Brigada Militar. Ao ser levado à delegacia, pagou fiança de R$ 500 e foi liberado. Testemunhas disseram que, na hora que estava sendo preso, falou que voltaria para terminar o que começou. Investigações dão conta de que ele agia por influência da mãe, que o mandou até a escola para falar com uma adolescente de 14 anos. Segundo a mãe do aluno que testemunhou a invasão da escola, a intenção do agressor era matar a estudante.
A ocorrência foi registrada como dano qualificado na Delegacia de Pronto Atendimento. A delegada Greice Vieira Ramos entendeu que o crime era afiançável.
SEGURANÇA – Na manhã desta quarta-feira, 20, as aulas foram mantidas, mas dois policiais militares foram encaminhados para fazer a segurança na escola. A diretora, Berenice Corsetti, afirma que o policiamento continuará nos próximos dias. Ela solicitou auxílio da 1ª Coordenadoria Regional de Educação para evitar que o ensino seja prejudicado no local.
Berenice pediu ajuda psicológica para alunos e professores. “Já entrei em contato com a Secretaria de Educação, falei com a assistente da secretária, que nos orientou a fazer o relato. Estamos pedindo para que os professores conversem com as crianças e orientem a hora da saída.”



Informações de Correio do Povo
http://novohamburgo.org/site/noticias/pelo-estado/2011/04/20/ex-aluno-agride-vice-diretor-em-escola-de-porto-alegre/

terça-feira, 19 de abril de 2011

Bullying: alarmismo e medo

Passado o cruel assassinato de adolescentes no Rio de Janeiro, declarações veiculadas na mídia ligaram o fato a ataques de bullying sofridos por Wellington na escola, o que agravou o estado de alarde sobre o tema.
Tenho visto como brigas na escola passaram, facilmente, a ser temidas como possíveis atos de bullying. O uso indiscriminado do termo denuncia a dificuldade de reflexão sobre o tema pela incômoda ligação que a violência contida nos atos de bullying tem com as baixas origens da espécie humana, pois nenhum outro ser apresenta a capacidade e o prazer no maltrato e na imposição intencional de dor e sofrimento a si e ao outro.
A erradicação do mal mediante a classificação e a transformação em doença tem sido a forma, via ciência, que foi encontrada para nos distanciar de qualquer responsabilização frente aos atos humanos considerados indignos.
Os grupos humanos na economia, na política e na academia têm uma tendência a se diferenciar pelo patrimônio, pelo nível de poder alcançado e pelo saber acumulado. Na coletividade isso faz com que os sudestinos se acreditem mais importantes que os nordestinos. As zonas de consagração acadêmica e literária do sul-sudeste tendem a menosprezar os literatos e cientistas do norte-nordeste.
O fetichismo consumista estimula o ódio destrutivo tanto na paz quanto na guerra. A crueldade do indivíduo ou do grupo nas condições do narcisismo estimulado pela mídia torna-se um problema de saúde pública tanto no trânsito quanto na escola. A vestimenta ou a mochila do colega são signos de status que estimulam a ira narcísica de uns e a revolta ou submissão de outros. A maldade dessa situação é tanto maior porque as pessoas com menor poder aquisitivo entram em desespero para atender às solicitações dos filhos.
Por outro lado, como na hierarquia consumológica o saber é menos importante que a aparência, os grupos desenvolvem refinadas técnicas de falsificação e mentira. Os que não entram na vulgar jogatina são tidos como esquisitos e na escola são chamados de nerds. O verbo inglês to bully significa amedrontar alguém para obrigá-la a fazer algo. Assim, o grupinho narcísico inconsciente das suas próprias fantasias tenta enquadrar ou expulsar “o diferente” que se tornou incômodo. O problema desta engrenagem consumista é que não há como parar a máquina senão destruindo-a.
A situação limite implica que dentro do contexto capitalista é impossível por fim a tal loucura. O mecanismo é tão extraordinariamente desumano que impede a ligação afetiva entre as pessoas, ao mesmo tempo em que anula a capacidade crítica do pensamento humano. As imagens substituem o discurso que a escola e a academia tentam por em marcha. Desde cedo, as crianças são condicionadas para, no futuro, se tornarem consumidores compulsivos, meta ideal desta engenhoca terrorífica.
Os escolares divididos hierarquicamente em grupos narcísicos marcados por pequenas diferenças invejam os considerados superiores, enquanto desprezam todos aqueles imaginados abaixo da escala estatutária. A crueldade infantil estimulada cria nas crianças estúpidas desigualdades, enquanto a juventude em desespero encontra no crack e na cocaína a ilusão da felicidade.
No caso das crianças e jovens, a Lei tem sido uma saída quando os mesmos escapam à autoridade dos pais e da escola. Na legislação brasileira a gravidade de um ato pode levar um jovem a sofrer a ação de medidas sócio-educativas e os pais serem obrigados a pagar indenizações.
Penso que um cuidado efetivo com essa questão exige a compreensão das perversões e agressividades dentro do arsenal humano de possibilidades estando implicadas numa história subjetiva, individual e social.
Lembro, ainda, que rivalidades e antipatias fazem parte dos relacionamentos e que não podemos classificar todos os desentendimentos no âmbito da crueldade com o outro.
Não podemos resumir ao bullying a violência vista em Realengo. A gravidade do ocorrido exige um debate mais amplo sobre a condição humana e a nossa sociedade.
Que o bom senso nos livre de um policiamento politicamente correto como o que ocorreu na sociedade americana. Em que, em meio ao combate ao assédio sexual, até uma criança foi acusada por beijar um coleguinha do jardim de infância.


angelaalcantara@yahoo.com.brEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .
Angela Alcantara
Jornalista

Alunos agridem PMs e ameaçam professores

BRASÍLIA - O clima é de tensão no Centro de Ensino 4, em Guará, no Distrito Federal. Na última sexta-feira, um grupo de alunos agrediu policiais militares, depois de uma confusão em um ônibus escolar. Um rapaz teria sido retirado do ônibus, causando revolta em um grupo de estudantes, que agrediu os policiais. Dez alunos serão transferidos da escola.
- A informação que temos é que essas pessoas não são alunos e eles vinham junto com o ônibus. A gente não sabe qual o motivo, mas aparentemente é para passar droga - diz o tenente-coronel Eduardo Sousa.
Na segunda-feira, as aulas do turno vespertino foram suspensas. Professores se dizem inseguros e dizem que foram ameaçados. Nesta manhã, o policiamento foi reforçado, com duas motos, um carro e oito policiais militares. Estudantes fizeram prova e foram liberados mais cedo.
A Delegacia da Criança e do Adolescente ouviu nove estudantes envolvidos na agressão aos PMs. Três meninos e uma menina, entre 15 e 17 anos, foram levados para o Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje), por ameaça, dano ao bem público, receptação de produto furtado e resistência à apreensão.
- A maioria desses adolescentes já tem problemas, saíram de outros colégios e foram matriculados naquela escola - diz o delegado Nivaldo Oliveira da Silva.
Na tarde de segunda, um grupo de alunos estourou bombas em latas de lixo e um professor foi atingido por uma pedra.
- A polícia estava recolhendo os alunos nos ônibus e, no meio da multidão, uma pedra me acertou - conta o professor, que não quis se identificar.
Moradores do Guará também andam preocupados. Em três dias, eles colheram mais de 200 assinaturas num abaixo assinado que pede o remanejamento de alunos que vêm da Cidade Estrutural, localizada às margens da DF-095. Mais de 90% das vagas da escola são destinadas a eles.
- Acho que se tivesse uma divisão de alunos, o problema poderia ser sanado - fala o prefeito comunitário José Maria Castro.
Os alunos reclamam do preconceito com os moradores da Cidade Estrutural.
A aluna Kamila Santos, 17 anos, que mora na Estrutural, defende que nem todos que vêm da cidade querem confusão.
- Por mais que tenha muitos alunos da Estrutural, não são todos que participam da bagunça. Tem muitos estudantes que querem estudar, como eu e outros da minha turma - diz ela.
A regional de ensino do Guará informou que todos 364 alunos que estudam no período vespertino são da Estrutural. Desses, 29 alunos têm mau comportamento e já está decidido que 10 deles, considerados os mais problemáticos, serão transferidos para outras escolas do Guará.
A regional também informou que, a partir da semana que vem, só vão embarcar nos ônibus que saem da Estrutural os alunos que apresentarem uma carteirinha com foto. Essa decisão é para evitar que estranhos se encaminhem para a escola.
Medidas preventivas estão sendo discutidas pelo Ministério Público, Vara da Infância e Juventude, Conselho Tutelar, Polícia Civil, Batalhão Escolar, direção e professores.
 

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Chacina na escola de um tempo pós-liberal

 

Por quê? Por quê? Após uma tragédia como a da escola de Realengo, esta é a questão. Por que as coisas ocorreram como ocorreram? Por que o ex-aluno se tornou o atirador que provocou a chacina?  Algumas dessas perguntas são importantes como perguntas retóricas. Fazem parte do processo de luto que já se inicia. Outras perguntas desse mesmo tipo não fazem parte do luto, são feitas por pessoas não próximas do evento, que querem entender e criar condições para que situações assim não ocorram. Ambas são importantes.  Mas, o luto é o luto; e as perguntas para prevenir, são as que pedem resposta.
A pior resposta é aquela que aponta para a “loucura” do atirador. Louco é louco. Quando dizemos que alguém foi possuído pela insanidade e atirou em outros, criando uma chacina, não dizemos absolutamente nada. Ou melhor, dizemos exatamente o que queremos ouvir: estamos diante do inevitável, pois ninguém pode saber quando alguém que, se parecendo depressivo ou solitário, irá sair disso para a “loucura propriamente dita”. Falando assim, tiramos dos ombros nossos e de toda a sociedade qualquer peso.
Outra resposta ruim é aquela que encontra na escola a culpa de tudo. A escola, que na verdade é vítima, é responsabilizada pelo crime. Os professores e diretores são, então, responsabilizados pelo fato de que um aluno, num ano indeterminado, sofreu bullying, e então voltou um dia para a vingança. Essa resposta é pior que a da “loucura”, pois ela também gera a inércia que se põe na vala do que precisamos para nos safarmos de qualquer responsabilidade, nós que não somos os professores daquela escola. Afinal, quem é que vai conseguir saber, não sendo professor lá, quando é que alguém que passou por bullying irá voltar? Aliás, em um determinado nível, a própria escola pode também não querer nem mesmo pensar no assunto, pois pode argumentar algo assim: como que é possível identificar quem sofreu bullying? Quem sofre o bullying é o silencioso, e a escola está preocupada com o “barulhento”, o “indisciplinado”, o que provoca o bullying. Não se muda essa cultura tão fácil. E, afinal de contas, ninguém quer marcar quem sofreu bullying, tudo é feito para que isso não vire um trauma, que seja esquecido. Ou esquecido seriamente ou simplesmente esquecido através da “vista grossa”.
Mas uma resposta melhor é que viria da investigação de outros elementos que criam o autor de chacinas em escolas ou coisas do tipo. Um traço comum dessas pessoas é a solidão. Os atiradores são pessoas silenciosas, com uma vida esvaziada e, enfim, com algo que todos podem notar: são sozinhas. Mas são sozinhas de uma maneira especial. Não que não tenham parentes ou amigos. Não! A questão é que elas não dividem, não contam, não conversam, não trocam. Elas não possuem necessidade de atirar em alguém, elas têm é necessidade de se comunicar. Tanto é que todos esses crimes são cometidos por pessoas que deixam cartas para serem lidas depois da chacina ou, ainda, deixam mensagens na Internet ou em outros meios em que avisam o que vão fazer, inclusive expondo motivos. Não importa se os motivos são inteligíveis ou não. Ou se são verdadeiros ou não. Ou se são trágicos ou não. A questão não é essa. Pois tudo isso é secundário. O ponto central é que a solidão e a falta de poder se comunicar, trocar informações e, enfim, ser ouvido, é o que está na base das motivações que geram o atirador que cria chacinas.
Por isso é que esses tipos aparecem mais em sociedades de massa. Os Estados Unidos e a Europa, onde todos estão com todos e, no entanto, muitos, estando com todos, estão sozinhos, são lugares onde é fácil que existam pessoas propensas às chacinas. O Brasil já é uma sociedade de massas e, por isso mesmo, também tem visto as chacinas ocorrerem. O caso da escola de Realengo não é um fato isolado. Mas, pelo número de mortes, foi para a TV, se igualando aos casos desse tipo no exterior. Todavia, quem acompanha a vida de perto sabe que a sociedade brasileira está vivendo tal coisa já há algum tempo. À medida que os jovens brasileiros puderem adquirir armas com a facilidade com que os jovens americanos as adquirem, essas chacinas serão mais espetacularmente parecidas com as dos países mais desenvolvidos. A base motivacional será, no entanto, a mesma: solidão da sociedade onde todos estão com todos o tempo todo. A solidão do excesso de não solidão. Ninguém pode mais ficar entre seus livros, na sua biblioteca, consigo mesmo – como o filósofo Montaigne dizia que ele adorava ficar. Essa solidão verdadeira, saudável, não existe mais. Na nossa sociedade a solidão é provocada pelo excesso de contato que, enfim, cria a sensação de que deveríamos ser populares, vencedores, estrelas de TV e, no entanto, não temos ainda o contato de troca como gostaríamos de ter.
Numa sociedade liberal e moderna, mas não ainda uma sociedade de massas, o que se pede aos indivíduos é que tenham as suas relações com um grupo de amigos, familiares ou de namoros. Mas numa sociedade liberal e moderna de massas, o que se exige dos indivíduos é que eles tenham um número de relações tão grande quanto o das celebridades dessas sociedades. Todos são estrelas. Devem ser estrelas. Precisam ser reconhecidos como estrelas. Precisam ser ouvidos e ganharem em trocas comunicacionais. Caso isso não ocorra, então, a saída é a destruição dessa sociedade. Se a sociedade é grande demais, eu, que sou o frustrado dessa sociedade, preciso ao menos destruir o meio mais próximo que a representa ou a representou na minha vida – a escola é um bom lugar para tal. Nesse caso, a destruição é o momento de não-anonimado. É o momento do fim da solidão. O momento da troca. A troca da dor. O contato e a vitória aparecem nessa troca. A troca da violência é, antes que vingança, um ato de solicitação da conversa. Quero ser ouvido, visto. Quero ser um indivíduo que tem um grande Facebook, que possa ser amado. Sou alguém que não é um lixo, um solitário. Ao menos na hora da minha morte.
Quando entendermos filosoficamente esse recado, talvez não possamos fazer muito pelas escolas a não ser colocar guaritas. Mas estaremos entendendo muito do que faz aparecer o autor de chacinas como a da escola de Realengo e, também, chacinas e comportamentos de banditismo em regiões pobres, ligados ou não ao tráfico de drogas. Há no banditismo em geral esse elemento de espetacularismo de quem precisa sair do anonimato. Quando entendermos isso filosoficamente, vamos entender muito do que temos construído como sociedade liberal moderna de massas ou, se quisermos, como uma sociedade pós-liberal ou pós-moderna.
© 2011 Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor e professor da UFRRJ

domingo, 10 de abril de 2011

Secretária diz que vai fazer a "Reinvenção da escola", mas promete apenas faxina


'Faremos a reinvenção da escola', diz secretária de educação do Rio

Local será limpo, pintado e vai ganhar aquário e mosaicos.

A secretária municipal de educação, Claudia Costin, afirmou neste domingo (10) em visita à Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, que na segunda-feira (11) a escola passará por uma reforma com pintura das salas, limpeza para remover o sangue e novas melhorias, como um aquário e mosaicos, para receber as crianças na semana seguinte.

10/04/2011 13h46 - Atualizado em 10/04/2011 15h54
 
http://g1.globo.com/Tragedia-em-Realengo/noticia/2011/04/faremos-reinvencao-da-escola-diz-secretaria-de-educacao-do-rio.html

sábado, 9 de abril de 2011

Alunos do Rio Branco fazem homenagem a mortos em tragédia no Rio

Estudantes combinaram ato pelo Facebook e apareceram no colégio de camisa preta; especialista defende discussão do crime em sala de aula


Alunos do ensino médio do Colégio Rio Branco em Higienópolis, região central de São Paulo, promoveram na manhã desta sexta-feira, 8, um ato para homenagear as crianças mortas no atentado ocorrido ontem em uma escola carioca. Vestidos de preto, os estudantes fizeram um minuto de silêncio, confeccionaram cartazes de repúdio a violência e cantaram músicas que enfatizam o sentimento de solidariedade.
O movimento foi organizado pelos alunos do 3.º ano no Facebook e contou com a participação de colegas das outras séries, representantes da direção e funcionários do colégio. Segundo a orientadora educacional do ensino médio, Leda Soares, os estudantes manifestaram "medo", mas "de forma velada". "Este medo não os paralisou, mas os motivou a demonstrar solidariedade às famílias das crianças", diz a psicóloga.
Depois que todos cantaram juntos músicas como Dias Melhores, do Jota Quest, e Epitáfio, do Titãs, os orientadores educacionais do Rio Branco conversaram com os jovens. "Dissemos que todos estamos abalados com o que houve e valorizamos a iniciativa dos alunos", conta Leda. "Não falamos muito, porque o momento não é de palavras, mas de reflexão."
Manifestações como a do Colégio Rio Branco devem ser repetidas em outras escolas, defende a professora de psicologia de educação da Faculdade de Educação da USP Silvia Colello. "O que aconteceu no Rio de Janeiro merece destaque não só porque está em relevo na mídia. Da tragédia, podemos extrair aprendizagem de princípios e valores", diz a docente. Para ela, as escolas precisam discutir questões como violência, solidariedade e relações humanas.
Neste momento, diz Silvia, é importante para o colégio escutar o aluno e acolher suas angústias. Depois, abrir espaço para reflexão sobre os motivos do crime e, por fim, pensar no que pode ser feito para impedir situações semelhantes. Mas ela alerta: o assunto precisa ser tratado com graus de profundidade diferente, dependendo da faixa etária dos estudantes. "E lembrar sempre que a escola é um espaço de valorização da vida", afirma a professora.
O Colégio Batista Brasileiro, em Perdizes, zona oeste, pretende seguir essa orientação. Hoje à tarde, a direção da escola se reuniu para discutir como vai abordar a chacina do Rio com seus alunos do ensino infantil ao médio. Segundo a coordenadora do ensino fundamental, Selma Guedes, o momento é de acalmar as crianças. "Elas estão muito estressadas. Tentamos desviar a atenção para as coisas boas da escola. Mas é claro que o trauma vai ficar."
No Magister, em Interlagos, zona sul, o professor de filosofia das turmas do ensino fundamental, Clayton Fernandes, deixou de lado as aulas do 8.º e 9.º anos preparadas para hoje e discutiu a tragédia do Rio com seus alunos. "Eles já chegaram falando disso, porque não esperavam que acontecesse dentro de uma escola e com crianças da idade deles", diz Fernandes. "Acho que estavam ansiosos para desabafar."
O professor conta que trabalha o tema violência a partir de estudos de caso, como os recentes registros de agressão a gays na Avenida Paulista e o assassinato do índio Galdino Jesus dos Santos, em Brasília, em 1997. Hoje, Fernandes aproveitou para falar mais uma vez sobre bullying. "Qualquer violência gera reação", destacou.
A direção do Vértice, colégio do Campo Belo, zona sul, não desenvolveu atividades especiais para discutir em sala de aula o que aconteceu no Rio. "O tema violência já está na pauta de nossos processos de ensino e aprendizagem", explica o diretor Adilson Garcia. "Mostramos a nossos alunos que estamos aqui para ajudá-los a compreender melhor a tragédia e, principalmente, para protegê-los."

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,alunos-do-rio-branco-fazem-homenagem-a-mortos-em-tragedia-no-rio,703727,0.htm

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Infelizmente, tragédia já era anunciada.

Depois de tantas denúncias, a violência escolar no Brasil, chegou ao seu auge hoje.

Atirador entra em escola em Realengo, mata alunos e se suicida

Segundo hospital, 11 estudantes morreram na Zona Oeste do Rio.  Atirador tinha 24 anos e foi aluno da escola. Em carta, disse que tinha HIV.

Wellington Menezes de Oliveira, homem que atirou contra escola municipal Tasso da Silveira,
em Realengo.
Um homem de 23 anos entrou em uma escola municipal na Zona Oeste do Rio na manhã desta quinta-feira (7), atirou contra alunos em salas de aula lotadas, foi atingido por um policial e se suicidou. O crime foi por volta das 8h30.

Segundo o diretor do hospital para onde as vítimas foram levadas, 11 crianças morreram (10 meninas e 1 menino) e 13 ficaram feridas (10 meninas e 3 meninos). As crianças têm idades entre 12 e 14 anos.
Segundo autoridades, o nome do atirador é Wellington Menezes de Oliveira e ele é ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro de Realengo, onde foi o ataque. Seu corpo foi retirado por volta das 12h20, segundo os bombeiros. De acordo com polícia, Wellington não tinha antecedentes criminais.

A polícia diz que ele portava dois revólveres calibre 38 e equipamento para recarregar rapidamente a arma. Esse tipo de revólver tem capacidade para 6 balas. Segundo testemunhas, Wellington baleou duas pessoas ainda do lado de fora da escola e entrou no colégio dizendo que faria uma palestra.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, ele falou com uma professora e seguiu para uma sala de aula. O barulho dos tiros atraiu muitas pessoas para perto da escola.

O sargento Márcio Alves, da Polícia Militar, fazia uma blitz perto da escola e diz foi chamado por um aluno baleado. "Seguimos para a escola. Eu cheguei, já estavam ocorrendo os tiros, e, no segundo andar, eu encontrei o meliante saindo de uma sala. Ele apontou a arma em minha direção, foi baleado, caiu na escada e, em seguida, cometeu suicídio", disse o policial.

A escola foi isolada, e os feridos foram levados para hospitais. Os casos mais graves foram levados para o hospital estadual Albert Schweitzer, que fica no mesmo bairro o colégio.

Sobrevivente conta como foiUma das alunas lembra os momentos de terror na unidade. A menina de 12 anos disse que viu o atirador entrar na escola. Ela estava dentro da sala de aula quando ele abriu fogo contra os alunos.
“Ele começou a atirar. Eu me agachei e, quando vi, minha amiga estava atingida. Ele matou minha amiga dentro da minha sala”, conta ela, que afirma que estava no pátio na hora em que o atirador entrou na escola.
“Ele estava bem vestido. Subiu para o segundo andar e eu ouvi dois tiros. Depois, todos os alunos subiram para suas salas. Depois ele subiu para o terceiro andar, onde é a minha sala, entrou e começou a atirar”, completou.

Atirador diz, em carta, que tinha HIV
O subprefeito da Zona Oeste, Edmar Peixoto, afirmou que Wellington Menezes deixou uma carta em que contava ser portador do vírus HIV. Segundo a Polícia Militar, ele era ex-aluno.

De acordo com o coronel Djalma Beltrami, a carta de Wellington tinha inscrições complicadas. “Ele tinha a determinação de se suicidar depois da tragédia”, contou Beltrami. A carta foi entregue a agentes da Divisão de Homicídios.

Conhecido na escola por ser ex-aluno, ele teria entrado sob alegação de que iria fazer uma palestra. Segundo a polícia ele usou dois revólveres, que chegou a recarregar várias vezes.

07/04/2011 13h06 - Atualizado em 07/04/2011 15h14
 
http://g1.globo.com/Tragedia-em-Realengo/noticia/2011/04/atirador-entra-em-escola-em-realengo-mata-alunos-e-se-suicida.html

sábado, 26 de março de 2011

Aluno agride professor em escola de Londrina

"A situação está cada dia pior",. Este foi o lamento de Helena Vargas, coordenadora geral da Escola Oficina Pestalozzi, no Jardim Franciscato, zona sul de Londrina, que na tarde desta quinta-feira (25) precisou acionar a Polícia Militar durante uma ocorrência de agressão de um aluno contra um professor.

Policiais foram dar apoio a situação, que envolveu um aluno de apenas dez anos de idade, com imenso histórico de indisciplina. Nesta ocasião, o garoto chutou as pernas do professor em sala de aula. "Está cada dia mais difícil lidar com crianças e adolescentes rebeldes. No caso deste menino, não sabemos mais o que fazer. Ele agride sem piedade, com palavrões, ofensas, e até chutes", desabafou a coordenadora à reportagem do Bonde.

Helena contou que na semana passada, uma adolescente de 14 anos tirou à força o telefone das mãos da coordenadora pedagógica enquanto ela acionava a Patrulha Escolar. "Ela 'endoidou' quando a professora pediu para que mudasse de lugar devido a bagunça. É uma adolescente indisciplinada e que até hoje (faz uma semana) não retornou à escola, já que ela precisa vir acompanhada dos pais devido à ocorrência. Não bastasse, os responsáveis ignoram o problema", explicou.

Na situação desta tarde, a PM foi acionada na tentativa de amenizar a situação de indisciplina e agressividade do garoto, que não respeita mais ninguém, nem mesmo patrulheiros escolares.

A Escola Oficina Pestalozzi tem ligação com a Secretaria Municipal de Assistência Social, é uma entidade filantrópica e oferece ofinas lúdicas, de artes, esportiva e cultural a crianças e adolescentes do bairro.

"Infelizmente a lei não dá o suporte necessário aos gestores de Educação, o que resulta em indisciplina, desrespeito, imoralidade e marginalidade", finalizou a coordenadora.
http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-3--915-20110324&tit=aluno+agride+professor+em+escola+de+londrina

Situações em sala de aula levam alunos e professores ao sofrimento

  18/03/2011


Uma pesquisa feita pela Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) mostra que, para 57,5% dos professores de São Paulo, casos de violência nas escolas causam “sofrimento”. A preocupação só fica atrás de jornada de trabalho excessiva, superlotação nas salas de aula e dificuldades de aprendizagem dos alunos.
Na terça-feira (15), uma professora da cidade de Guaimbê (SP), ficou ferida após um estudante atirar uma carteira escolar nela. A docente havia pedido que o aluno parasse de conversar durante a aula. Ele foi suspenso por seis dias.
O relatório, que foi concluído em dezembro de 2010, ouviu 615 docentes dos ensinos fundamental e médio da rede paulista. O objetivo era avaliar como estava a saúde do professor estadual.
Para a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, o aumento da violência contra o professor –especialmente no interior do Estado, onde o número de casos vêm crescendo desde 2007– mostra falta de valorização docente.
“Não é um problema só do professor. É também da família e da sociedade. Como resolver isso? O menino tem que ser punido. Não tem que passar em brancas nuvens. Mas a saída não pode ser só a punição. Tem que passar pelo processo: [reforço da] autoridade [do docente], reconhecimento profissional e respeito”, afirma.
Brasil

Os casos não são exclusividade dos professores paulistas. Em todo o país, são registrados casos de violência contra docentes.
Em Porto Alegre, no ano passado, uma professora foi assaltada por um ex-aluno dentro da sala de aula. O estudante teria roubado R$ 10 para comprar crack. Em Brasília, o governo local estudava colocar câmeras dentro das escolas para combater a violência.

http://www.correiodoestado.com.br/noticias/situacoes-em-sala-de-aula-levam-alunos-e-professores-ao-sofr_103636/

Em 15 dias, dois professores são agredidos em escolas estaduais SP

Dois casos de agressão contra professores foram registrados em escolas estaduais de Itaquaquecetuba nos últimos 15 dias. No início desta semana, um aluno de aproximadamente 16 anos agrediu o professor no rosto por ter sido proibido de entrar na sala de aula após um atraso. Na semana passada, o docente foi ameaçado não apenas pelo estudante, mas também por seu pai, que não aprovou uma repreensão ao filho. De acordo com o secretário de Organização para a Grande São Paulo do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Douglas Izzo, a violência de alunos contra professores é comum no município.
Uma das agressões ocorreu na Escola Estadual Dulce Maria Sampaio. Segundo um amigo do professor agredido, que preferiu não se identificar, o aluno foi impedido de assistir a aula por estar atrasado. Nervoso, ele deu um "soco" no rosto do profissional e o ameaçou. Segundo Izzo, os professores são coibidos pela direção da escola para que não comentem sobre os episódios de violência. Segundo a Resolução n° 7/1990, da Secretaria de Estado da Educação, a concessão de entrevista pelos funcionários é condicionada a uma autorização prévia do chefe de Gabinete.
"Eles são ameaçados pelos superiores e, muitas vezes, até negam quando questionados por pessoas de fora da escola. Os alunos conhecem essa regra, sabem que não serão punidos e continuam desrespeitando os professores", explicou. O secretário afirmou ainda que na semana passada outro docente foi agredido por ter repreendido um dos estudantes. "O aluno o ameaçou e dias depois o pai dele fez o mesmo. A situação nas escolas de Itaquá está cada vez pior e nada é feito para controlar esses jovens", destacou.

A Secretaria de Estado da Educação foi procurada pela reportagem, mas afirmou que nenhum caso de violência foi registrado nas escolas de Itaquá.

http://www.moginews.com.br/materias/?ided=1130&idedito=16&idmat=87078

quinta-feira, 17 de março de 2011

Aluno arremessa carteira escolar contra professora


O aluno de 16 anos que xingou e agrediu uma professora da 7ª série com uma carteira durante uma aula, na terça-feira (15), dentro de uma escola em Guaimbê, município da região de Marília, no interior de São Paulo, foi suspenso por seis dias, informou a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Educação.

De acordo com a pasta, o adolescente de 16 anos foi afastado pelo conselho escolar da Escola Estadual José Belmiro da Rocha. Na mesma nota, divulgada nesta quarta (16), o setor de comunicação da Secretaria informa que Sandra Inês Ferreira Barreto Bontempo, de 29 anos, que leciona matemática na escola, “ficará afastada de suas funções para recuperação.”

Como a professora registrou boletim de ocorrência contra o estudante na Polícia Civil de Guaimbê, além da punição administrativa ele também poderá responder por desacato e lesão corporal dolosa na Promotoria da Infância e Juventude de Getulina. O promotor poderá pedir a um juiz da Vara da Infância e Juventude que aplique alguma medida socioeducativa para o garoto, como, por exemplo, prestação de serviços comunitários, acompanhamento psicológico ou internação em alguma unidade da Fundação Casa (extinta Febem).

Aluno 
Pelo fato de ser menor de idade, o boletim de ocorrência registrado na polícia não pode virar inquérito contra ele. Por telefone, o adolescente concedeu entrevista ao G1, com a autorização de sua mãe e de seu irmão. Ele estava na delegacia de Guaimbê e afirmou que errou ao xingar e agredir a professora.

“Eu perdi a cabeça. Ela foi chamar a atenção de um aluno para falar mais baixo, mas gritou. Como eu estava com dor de cabeça falei para ela falar mais baixo. Mas ela alterou a voz e falou mais alto. Então a xinguei. Ela disse que xingou também e foi saindo da classe para ir à diretoria. Eu então peguei a carteira e empurrei para impedir a ida dela para lá, mas acabou acertando ela. Não tive intenção de machucá-la. Eu errei, deveria ter ficado calmo”, disse o adolescente.

Demonstrando arrependimento, o aluno disse que vai pedir desculpas a Sandra num momento oportuno. “Não gosto de estudar. Escola não é muito para mim. Prefiro sair da escola e procurar um trabalho. Mas vou me desculpar pessoalmente com ela. Isso se eu não for expulso ainda”, disse o aluno, que mora com a mãe e um irmão mais novo e já repetiu a sétima séria por faltas.

Há cerca de um mês, uma conselheira tutelar também registrou um boletim de ocorrência contra o aluno. Esse por desacato. O garoto teria xingado a mulher porque ela o repreendeu após ele ter sido pego fumando no banheiro da escola.

Professora 

Procurada para comentar o assunto, a professora Sandra afirmou que não vê problema em voltar a dar aulas para o estudante que a agrediu. “Ele é aluno. Errou em me agredir. Não tem justificativa para agressão. Mas se ele voltar a estudar comigo, o tratarei como todos os outros alunos. A culpa maior não é dele, mas do sistema educacional em São Paulo que aprova o aluno por presença. A progressão continuada faz com que o aluno perca o interesse em aprender e perca o respeito pelo professor”, disse a professora.
A assessoria de imprensa da Secretaria da Educação também foi procurada pelo G1 para comentar as críticas da professora ao sistema de ensino paulista. O setor de comunicação informou que iria avaliar o comentário da professora para saber se posicionaria sobre o assunto.

Ainda reclamando de dores na região da cintura, Sandra afirmou que nunca havia tido qualquer problema com o aluno antes. “Eu havia pedido silêncio na classe e ele me mandou me xingou. Quando eu ia para a diretoria, ele tentou jogar a carteira na minha cabeça, mas acertou o lado esquerdo da minha barriga. Exame de corpo delito mostrou que tive escoriação na região. Algo precisa ser feito porque existem muitos alunos-problema na classe que ele estuda. Decidi registrar queixa para que isso sirva de exemplo contra os maus alunos. Alguns professores dizem que a classe onde dou aula parece uma jaula”.

Outros casos 

Segundo a Polícia Militar de Guaimbê, policiais sempre atendem a ocorrências envolvendo desentendimento entre alunos e professores e alunos e diretoria.

A última pesquisa feita pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) mostra que 38% dos professores já presenciaram a troca de ameaças entre alunos e que 44% já assistiram estudantes ofendendo os docentes. A pesquisa ouviu cerca de 300 professores da região de Marília.

“Ele precisa ir rezar, procurar Deus”, disse ao G1 o irmão do adolescente, um pastor de 22 anos de idade que pediu para não ser identificado. Ele e a mãe acompanhavam o garoto na delegacia. A mulher não quis falar.

Nota da Secretaria da Educação
Leia a íntegra do comunicado:
"A Secretaria de Estado da Educação lamenta agressão praticada por um aluno contra a professora de classe na Escola Estadual José Belmiro da Rocha, em Guaimbé. É importante esclarecer que este foi um caso isolado que não reflete o cotidiano da unidade. A escola realiza trabalho permanente de prevenção a conflitos, proposto pelo programa Sistema de Proteção Escolar da Secretaria na presença de um professor mediador. Também aos finais de semana o corpo estudantil, familiares e a população do entorno participam de oficinas gratuitas oferecidas na unidade pelo Programa Escola da Família a fim de promover o fortalecimento dos laços entre a comunidade e a escola. Todas as medidas em relação ao estudante agressor já foram tomadas. O conselho escolar determinou a suspensão do adolescente por seis dias. A professora agredida ficará afastada de suas funções para recuperação."


Assista a reportagem no site:
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/03/aluno-que-xingou-e-jogou-carteira-escolar-em-professora-e-suspenso.html